Um exemplo que se dá, é um exemplo que se segue. Ficou claro para mim que após o pedido de aumento de 73% para o Poder Judiciário e para o Ministério Público, outros setores se sentiriam confortáveis em pleitear aumentos e melhorar suas condições laborais.

A vez agora é da Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo: no próximo dia 27 de julho, acontecerá leilão para a compra de 56 automóveis de luxo. Não bastasse o inoportuno momento para a compra de tais veículos, as especificações exigidas pela casa legislativa só faltaram dizer “tipo GM Cruze”.

Onde pretendo chegar hoje: acostumamo-nos a ser complacentes com as benesses concedidas a membros dos poderes, como se fossem devidas. Mas, mais uma vez, relembro que tais cargos têm o cunho de serem exercidos em prol do Múnus Público, ou a favor da comunidade/coletividade.

Como cidadão comum, o Estado paga seu transporte para ir trabalhar? Eu acho que não né. E porque alguém, eleito pelo povo para defender seus interesses, precisa receber do Estado um carro com um motorista para ir trabalhar? Não consigo entender.

Imagine o quanto gastamos com a troca da frota no Brasil, mais as manutenções dos carros, o combustível, os motoristas (francamente né… neo feudalismo???). Além da economia que seria feita com a destinação adequada da verba para saúde, educação e segurança pública, por exemplo, a “sujeição” de nossos representantes às mesmas condições que nós, seres normais, ainda serviria para que eles fortalecessem a ideia da necessidade da constante melhoria nos transportes públicos.

Tenho vergonha desse tipo de conduta. Tenho vergonha de ligar para o 193 de minha cidade ao ver um idoso atropelado e ouvir do Bombeiro que a cidade só conta com um SAMU (moro em uma das melhores cidades do Estado de São Paulo, com 250 mil habitantes) … Na hora pensei em como dever ser em Teresina, cidade onde meus avós nasceram no Piauí. Estamos a deriva? Mas acredito muito na força dos jovens que estão passando para os concursos da Receita, Polícia, Tribunais de Contas. Não é possível que ainda aceitemos isso por muito tempo.

 

Por Leonardo Pereira

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