Segunda feira, dia internacional da preguiça. Acordei com esse sentimento hoje, mas logo expulsei a vontade de ficar na cama. Lembrei do quanto já passei pra chegar até onde eu cheguei. E lembrei que não quero voltar ao que eu já vivi. Quero apenas olhar para frente. Seguir adiante. E para ir para frente não dá pra ficar olhando para trás.

Hoje resolvi deixar aqui um pouquinho da minha caminhada, que ainda não terminou. Na verdade, devo já adiantar uma coisa. Spoiler da vida: a caminhada nunca acaba.

A OAB foi meu primeiro desafio.

Eu confesso: levei a faculdade nas coxas! Fazia pra passar de ano, e não estourar em faltas. Entreguei minha monografia em junho do último ano, e nos últimos 6 meses, eu estudei tudo aquilo que não estudei durante o curso inteiro. Li, reli, li de novo. Fiz um cursinho, deixei de lado todas as festas e bares e ralei de estudar. Passei no meu primeiro exame: primeira fase com 62 pontos, e segunda fase no dia seguinte ao baile da minha formatura. Fiz a prova ainda maquiada…

A lista de aprovados saiu no dia do meu aniversário: o melhor presente que eu ganhei na minha vida foi ver meu pai chorando de orgulho.

Depois disso, mudei de cidade e comecei a trabalhar. Já pensava em concursos como Magistratura e MP, que precisavam de tempo de atividade jurídica. Quase completando os 3 anos, fui abençoada com a dádiva da maternidade. No primeiro ano, dedicação integral à minha pequena. Zero estudos, zero trabalho. Profissão mãe.

Depois, resolvi voltar a estudar. Retomei meus cursos, mas com a minha filha ainda bem pequena, e eu dividia meu tempo de uma maneira bem irregular: 70% do dia sendo mãe, os outros 30% estudando. Não me rendeu nada.

Continuei estudando em casa. Fiz algumas provas nesse tempo, mas não chegava nem perto. Desanimei. Voltei a trabalhar. Seis meses num escritório de advocacia de massa. Ganhava pouco e trabalhava muito.

Com o apoio infinito do meu pai, saí do escritório e retomei os estudos. Firme. Dessa vez, estudando de verdade. Pequena na escolinha em tempo integral. O primeiro concurso que eu me senti verdadeiramente preparada pra prestar, foi um para Defensoria Pública de SP. A prova tinha 88 questões, e eu acertei 69. Passei da nota de corte, mas não fiz o mínimo exigido em Direitos Humanos.

Chorei um dia, descansei uma semana, e virei a página. Em março do ano seguinte, fiz a prova do TJ/SP. Fiquei por pouco também… algum tempo depois, MP/PR. Fiquei por 1 ponto.

Por conta de adversidades da vida, acabei deixando de lado os estudos. Recebi uma proposta para trabalhar ao lado de um grande jurista, escrevi meus livros, conheci inúmeros dos professores que eu via apenas pelo computador, e depois recebi a proposta para vir para cá. E aqui estou.

Meus caminhos mudaram, mas as dificuldades não sumiram. E nem tudo são flores, nem sempre deu tudo certo, nem todas as coisas se ajeitaram da forma como eu queria. Ainda não cheguei no meu destino, mas se eu tivesse desistido antes, não teria chegado onde eu cheguei. E uma coisa eu sei: eu estou fazendo o meu melhor.

Lembrei de toda essa jornada hoje cedo, quando me deu vontade de continuar dormindo ao invés de vir trabalhar. E quando olhe pra minha pequena pensei no futuro que ela vai ter. Ela é o meu maior motivo. Qual é o seu?

Todo mundo tem motivos e “desmotivos”. Esqueça os desmotivos. Risque da lista, porque se você se prender neles, você realmente não vai levantar da cama às segundas de manhã. A batalha não é fácil, e certamente vai ter muita decepção no meio da luta. Mas a recompensa virá. Basta não desistir.

Boa sorte, bons estudos, e força aí! Lembre-se que que é seu, está guardado.

 

Luciana Pimenta. Mãe em tempo integral. Coordenadora Pedagógica no IOB Concursos em horário comercial. Advogada quando necessário. Autora, revisora e diagramadora quando sobra tempo. E ainda caminhando.

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