Na semana passada, escrevi aqui sobre (não) desistir.

Alguns dias depois, um amigo bem próximo me fez uma pergunta que me fez pensar: “mas para conseguir escrever o seu livro, você desistiu de muitas coisas; como escolher do que abrir mão?”

É um fato: não há escolhas sem renúncias. E ainda que isto cause angústia aos inseguros e indecisos, não posso (nem ninguém pode) garantir que a escolha (qualquer que seja ela) está certa. É preciso correr o risco.

 

Então como escolher?

Como em quase tudo na vida, não há uma fórmula. Não há um aplicativo onde você insere os dados e ele te dá o caminho, a resposta, a saída. Você vai mesmo precisar abrir a porta e está sujeito a não gostar do que há lá dentro. Pode ser que ainda haja tempo para voltar e abrir outra porta, pode ser que não.

A opção pela vida de funcionário público concursado pode ser um objetivo, uma alternativa, uma saída, uma fuga. Pode ser o que for. Independentemente da razão que te leva à essa escolha, é preciso, de antemão, saber que ela implica em diversas renúncias. Diversas desistências.

E me refiro apenas às horas que precisam ser dedicadas exclusivamente aos estudos.

 

Suponha que você seja recém-formado. Está, teoricamente, na casa dos seus vinte e poucos anos. Época em que poderia estar viajando sem rumo com uma mochila nas costas, ou conhecendo diversos bares e restaurante.

Suponha que você já se formou e tem uma carreira iniciante na área (ou mesmo em outra). Está, teoricamente, na época de chegar em casa depois de um dia exausto e sentar no sofá apenas para ver TV tomando uma cerveja gelada, ou de ir aos happy hours da firma nas sextas-feiras, ou viajar nos finais de semana.

Suponhas que você já tenha uma carreira sólida, mas está infeliz profissional ou financeiramente e decidiu mudar sua vida. Está, teoricamente, na época de cuidar da sua casa, da sua família, programar a vida dos filhos ou a compra da sua casa própria.

 

Qualquer que seja a época da vida, a decisão de estudar implica na decisão de não fazer diversas outras coisas. Diversas. Porque se você não abrir mão, vai acabar “perdendo” bem mais tempo. É fácil (e por vezes cômodo) nos enganarmos. Podemos dizer que estamos estudando, mas passar horas olhando para livros e aulas sem absorver nenhum conteúdo. Podemos nos matricular num curso, mas assistir uma aula por semana e tentar justificar os outros dias. Podemos ficar estar cansados, ocupados, ou desconcentrados. Podemos fazer tudo isso, e ainda afirmar: “sim, estou estudando para concurso”. Mas no fundo saberemos que não estamos. E seguiremos nos enganando. E perdendo tempo.

 

As escolhas não são fáceis. Eu não consegui chegar a uma resposta para a pergunta do meu amigo. Mas o que eu sei é que ainda que você abra uma porta e não goste do que encontra lá dentro, abrir a porta errada é melhor do que não abrir nenhuma porta.

 

Luciana Pimenta. Mãe em tempo integral. Coordenadora Pedagógica no IOB Concursos em horário comercial. Advogada quando necessário. Autora, revisora e diagramadora quando sobra tempo. E ainda caminhando.

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