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Certa vez em conversa com uma grande amiga, livre docente em Literatura, ela me colocou argumentos referentes à dificuldade que o Brasileiro tem em se tornar um povo culto.

Entre inúmeras análises, vinham os problemas de transporte público, como determinante da dificuldade de se adquirir o hábito da leitura entre a casa e o trabalho / escola; o clima, como “dificultador” das atividades que se desenvolvem dentro de casa durante os longos invernos dos países que estão acima da linha do Equador; o tipo de nossa colonização (não me recordo dos argumentos que ela colocou para esse fator) e, por fim, nossa musicalidade, como presença de uma atividade rítmica em nós, em sintonia diferente das formações clássicas.

Faz todo sentido analisar e refletir mas também entendo que se estivermos bem motivados, tais fatores são superados, quem sabe com algum grau de dificuldade um pouco maior. E ai vem a minha motivação para esse artigo: nada motiva mais que sexo?

Nossos fenômenos literários recentes estão relacionados ao tema, destacando-se as autoras Bruna Surfistinha e agora, mais luxurizada, Andressa Urach. Mais que uma aptidão comercial, já que inegável o retorno financeiro de tais best sellers, preocupo-me com o que deixamos de fazer pelo nosso próprio desenvolvimento, dedicando tempo ao culto a tais histórias. E é claro, não estaria nada preocupado se estivesse analisando sociedades com o hábito recorrente da leitura.

Um dos pontos focais para mim está alicerçado no fato de que em nenhum dos casos citados acima, detém as autoras domínio de nossa língua culta, ficando claro para mim que seus textos passaram por modificações e correções necessárias às publicações. Sem críticas ao fenômeno, mérito delas, para os quais dedico meu aplauso.

Mas precisamos refletir se o consumo de material histórico e literário tem sido fomentado tal como o de tais obras. Passamos por um momento político delicado e parte dele se dá em função de nossa baixa memória política, nosso baixo comprometimento social e por nossa fraca criticidade, pontos de fácil modelação a partir da análise daquilo que entendemos, por nossos hábitos de consumo, como fatores relevantes para nossa formação.

 

É fácil ser manipulado…basta querer ser. Bons estudos.

 

Por Leonardo Pereira

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