Essa semana me pediram para escrever sobre como escrever bem. E aí que eu, que sempre adorei escrever, sempre tirei as melhores notas em redação, sempre me orgulhei de ter escrito meus dois livros, sempre tive um monte de blogs, sentei na frente do computador, olhei para a tela em branco e fiquei perdida sem saber por onde começar.

Quem nunca, né?

No meu caso, ainda deu para levantar, pegar um café, olhar o sol e conversar com alguns amigos e só então voltar e efetivamente começar. Mas não dá para fazer isso no meio da prova.

E agora? Como se preparar para a prova de redação e fugir do bloqueio literário?

Antes de mais nada, “bloqueio literário” é o nome que se dá à situação em que você simplesmente não consegue escrever nada. Não significa que você não domine o assunto, mas sim que as ideias simplesmente somem da sua mente. E para essa situação, eu tenho algumas dicas.

Primeiro, organize as ideias em grandes macros. Começo, meio, fim. Não precisa desenvolver muito, mas crie (na sua mente, ou até mesmo por meio de desenhos) o que pretende falar.

Aliás, esse lance de organizar as ideias com desenho é ótimo para quem tem a memória visual aguçada. Vale tentar!

Traçado o roteiro, apenas comece. Sim. Simples assim. Vai escrevendo tudo que pensa, mesmo que depois tenha que voltar e apagar o que ficar em excesso. O fato é: o bloqueio literário some quando você começa a escrever. Mesmo que as primeiras linhas não façam nenhum sentido, apenas continue. Logo você vai ver que já incorporou o escritor e tudo começa a fazer sentido.

Realmente comece, ok? Porque você vai precisar ter cuidado com o tempo e não dá pra ficar muito tempo preso no bloqueio.

Passado esse primeiro obstáculo, você vai precisar saber o que escrever, certo? Precisa ter uma noção geral do tema, e para isso, não tem alternativa: tem que ler. As provas têm optado por cobrar assuntos da atualidade, e, mesmo que você não seja um profundo conhecedor da matéria, é preciso saber argumentar em cima dela.

Então leia sempre. Revista, livros, jornais, blogs. Na cama, no ônibus, na hora do almoço. Um pouquinho por dia, um pouquinho por noite. O fato é que quando você começar a ler e adquirir o hábito, você vai querer ler bem mais que apenas um pouquinho. Mas até chegar lá, policie-se e obrigue-se a ler nem que seja um post, um capítulo, uma reportagem por dia.

A leitura ajuda a saber falar sobre qualquer assunto e ainda ajuda a ganhar mais vocabulário, a ter mais facilidade em desenvolver uma narrativa, a organizar melhor as ideias. É isso: ler é vida.

Por fim (e não menos importante), algumas dicas práticas para não comer bola na sua prova:

– não use abreviações, nem gírias e nem (obviamente) palavrões;

escreva de modo simples e claro (sem redundâncias, palavras rebuscadas e excessos);

– evite clichês, mesóclises, analogias e siglas desconhecidas;

– cuidado com as repetições (releia seu texto quando terminá-lo e troque palavras repetidas por sinônimos);

– fuja da voz passiva e das frases com uma palavra só;

– atenção para a pontuação e ortografia;

 

E, no mais, boa sorte!

Luciana Pimenta. Mãe em tempo integral. Coordenadora Pedagógica no IOB Concursos em horário comercial. Advogada quando necessário. Autora, revisora e diagramadora quando sobra tempo. E ainda caminhando.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *