Um pouco mais sobre a descriminalização das drogas

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Mais uma vez suspenso o julgamento sobre a descriminalização das drogas, agora a pedido do Ministro Teori Zavascki, gostaria de tecer dois comentários adicionais. Coisa bem rápida.

Abro a Carta Capital hoje e vejo o subtítulo “Na América do Sul, apenas o Brasil e a Venezuela ainda consideram crime portar drogas para consumo” (grifo nosso). Parece-me um tanto tendencioso, não acham? Enfim, não quero julgar, quero fomentar o debate.

O segundo comentário vem de casa; muito gripado, tomei um remédio ontem e fui para a cama descansar enquanto minha esposa e filha, de um ano e 10, saíram para o parquinho brincar. Moro em uma cidade que considero segura e que até outro dia, ainda era a melhor cidade no país para se viver, segundo a ONU. Considero o respeito e a consideração pelo patrimônio público aqui um mérito, com inúmeras praças arborizadas em bem cuidadas.

Quando acordei, mandei uma mensagem para minha esposa, perguntando como estava o parquinho. Recebo um vídeo das duas em uma festa no parque ecológico. E eu: “ué, e o parquinho?”. Resposta: “depois te conto”!

Quando chegaram, minha primeira pergunta foi relacionada ao parquinho. Recebi como explicação o fato de ontem o parquinho estar cheio de grupinhos de jovens, fumando maconha.

Confesso que fiquei chateado, pois minha filha ama aquele parquinho, onde inúmeros outros pais levam seus filhos pequenos para uma atividade ao ar livre. E entendo que, como ela, possam ter ficado incomodados. E entendo que mesmo pais maconheiros, em algum momento, possam não querer que seus filhos tenham contato com aquela prática. Posso estar bem enganado… mas penso que sim.

De outra sorte, independente da criminalização, sugerir os guetos para o acondicionamento dos usuários também não me parece uma solução digna. Eles merecem ter uma parcela do uso dos bens públicos para seu deleite. Do mesmo modo incômodo, lidamos sem querer enfrentar a situação de mendigos que vivem em praças públicas. Não queremos estar na mesma praça que eles, por isso acabamos por não frequentar muitas, a exemplo da belíssima praça da Sé em São Paulo.

Se por um lado precisamos refletir sobre a descriminalização, por outro precisaremos resolver a questão do convício social, pois, ao que me parece, a solução do “incomodado que se retire” não acompanha a madura ou imatura decisão de liberar o uso de drogas.

Para importar exemplos, que o façamos sob a ótica do mais “experimentado” e prático: determinação de venda e uso em “coffee shops”, com sua consequente tributação. Quem sabe assim o governo até esquece da CPMF!!!

 

Por Leonardo Pereira

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