Na época em que eu fazia faculdade, eu ainda morava com meus pais. Eles moravam em uma cidade, e a faculdade que eu fazia ficava em outra. Eram aproximadamente 120km para ir e mais 120km para voltar, todas as noites. No último semestre, eu quis conciliar a faculdade com um curso para OAB. Mas não havia cursos na cidade onde eu morava, somente na cidade onde eu estudava.

Eu precisei sair do escritório em que estagiava e me mudar de cidade. Por 6 meses, fiz o cursinho presencial de manhã e a faculdade a noite. Esta era a única opção. E nem faz tanto tempo assim (eu me formei em 2002).

Os primeiros registros de experiências EaD são do ano de 1.728: um professor norte-americano resolveu publicar num jornal local anúncios de um curso de taquigrafia (que uma técnica para escrever à mão de forma rápida, usando códigos e abreviações) para aluno de todo o país. Ele enviaria, semanalmente, o material pelo correio.

Mais de um século depois, uma universidade na Suécia ofereceu um curso de composição, a Inglaterra ofereceu um outro curso de taquigrafia e na Alemanha surgiu o primeiro curso de idiomas, todos eles por correspondência.

A partir de 1.910, materiais adicionais passaram a ser usados nesses cursos. Slides e audiovisuais passaram a ser um atrativo. Em 1.940, já de utilizava o rádio para transmitir conteúdos e em 1.950, a tv passou a ser utilizada com a mesma função. Em 1.990, passamos a usar os computadores: primeiros via CD-ROM e depois, finalmente, pela internet.

No Brasil, o EaD surgiu por volta de 1.900, com foco em cursos profissionalizantes. É possível que alguns de vocês se lembrem do famoso “Instituto Universal Brasileiro” (que enviava materiais de uma infinidade de temas pelo correio, oferecendo seus cursos) e dos “Telecursos” (que passavam nas primeiras horas da manhã na televisão). Em meados de 1.990, passamos a usar internet para oferecer tais cursos.

A evolução do EaD acompanhou a evolução da própria história da educação, e, como não podia deixar de ser, da tecnologia. Deixamos de dar ênfase aos cursos profissionalizantes, e passamos a consolidar o ensino como um todo. Atualmente, no Brasil, temos uma infinidade de cursos preparatórios em praticamente todas as áreas, além de uma legislação que garante a validade de diplomas universitários e de pós graduação nesta modalidade.

Há uma previsão de que, em 2017, o Brasil deve chegar perto dos 2 milhões de estudantes que optaram pelo ensino à distância. E as justificativas são inúmeras: flexibilidade de horário, ticket médio (que corresponderia ao valor da mensalidade) reduzido, metodologia inovadora, autonomia do aluno, acesso ao AVA – Ambiente Virtual de Aprendizagem – em qualquer tempo e lugar, etc.

O que se vê é que, hoje, o que eu tive que fazer no final da minha faculdade – mudar de cidade para fazer um cursinho para a OAB – parece uma realidade distante demais. Mas nem faz tanto tempo assim!

Luciana Pimenta. Mãe em tempo integral. Coordenadora Pedagógica no IOB Concursos em horário comercial. Advogada quando necessário. Autora, revisora e diagramadora quando sobra tempo. E ainda caminhando.

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